domingo, 24 de julho de 2016

NOTA POLÍTICA DO PCB DE PALMAS


No dia 23 de julho de 2016, por ocasião da convenção partidária do Partido Comunista Brasileiro – Comitê Municipal de Palmas, deliberou-se que o PCB não lançará candidaturas para o pleito eleitoral de Palmas/TO em 2016.
Tal decisão, destacamos, não foi fruto da falta de vontade, por parte dos nossos filiados, para oferecer uma alternativa no campo da esquerda popular ou na perspectiva da emancipação social. Inclusive, registramos, foi elaborando um denso Projeto de governo como elemento estruturante de uma candidatura a prefeitura municipal de Palmas. 
Não obstante, temos que ter a humildade e transparência de reconhecer nossos limites e dificuldades, sem receito nenhum de que isso diminua nossas aspirações mais elevadas e nossas lutas mais sofridas.
Infelizmente, tais dificuldades começam no próprio sistema político vigente no Brasil. Esse sistema, na nossa avaliação, privilegia o poder econômico em detrimento da igualdade de oportunidades, e com isso, traz severa restrição para a participação ativa do cidadão na vida política. As reformas políticas feitas até então apenas pioraram isso, ao se confundir quantidade de partidos com a qualidade da representação política, impuseram exigências ainda maiores para candidaturas populares, isto é, para aqueles que buscam, de forma prioritária, articular ideais e propostas, e não compor força política e poder financeiro.
Por sua vez, há um contexto ideológico de considerável complexidade e aspereza. O campo da esquerda, que historicamente se formou como o espaço de crítica, e superação positiva, do stato quo (uma situação, via de regra, da injustiça e da espoliação), hoje é vista, de forma equivocada, como sinônimo de aparelhamento de Estado e sistemas patrimonialistas de gestão pública. Ao contrário disso, a perspectiva da esquerda, em essência e para ser coerente, seria a da justiça social, ampliação da democracia, efetivação dos direitos sociais, ética, transparência e a promoção do bem-estar social de todos.
Tal distorção reverbera dois problemas: o rebaixamento ou até inviabilidade de um debate civilizado e respeitoso; e a criação de novos constrangimentos para a participação políticas das pessoas.
Observamos isso em várias situações, a saber, o receio ou até medo de retaliações (seja na família ou no trabalho) das pessoas mais simples ou o cidadão comum em participar da vida pública e política, podendo emitir a sua opinião ou expressar suas aspirações sem que, devido a isso, venha a sofrer desgastes emocionais, ameaças ou outros prejuízos.
Enfim, reiteramos que a luta eleitoral não é o único caminho para se buscar justiça social. Orientamos todos os nossos militantes, simpatizantes, ou simplesmente a todos os cidadãos, que não abram mão do seu direito de protagonismo político, de lutar pelo que é seu de direito, de lutar por um mundo melhor! 
A rigor, o autêntico poder popular, nossa principal bandeira, não será construído por nenhum segmento político separado ou sozinho, mas tão somente pela mobilização massiva, e sem hesitação ou constrangimento de nenhuma natureza, da população, mas uma população que agregue e empodere seus participantes a priorizar a sua própria emancipação!
Ousar lutar, ousar vencer, ousar construir o poder popular!

PCB – Comitê Municipal de Palmas